Índice de empreendedorismo afunda o Brasil

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Não é segredo para ninguém as grandes dificuldades impostas aos empreendedores no mercado brasileiro. Altas cargas tributárias, processos excessivamente burocráticos, demorados e onerosos, escassos incentivos institucionais e formação adequada são apenas alguns dos pontos que mais se destacam no cenário negativo que dificulta a vida dos que desejam iniciar seu próprio negócio no país. Ainda assim, chamou a atenção a incrível 100ª colocação do país no ranking do Instituto de Desenvolvimento do Empreendedorismo Global (GEDI – Global Entrepreneurship Development Institute).

 

Na sua edição de 2015, divulgada em dezembro do ano passado, o Índice GEDI coloca o país, além da modesta posição (100 entre 130 avaliados), atrás de quase todos seus principais concorrentes globais, incluindo os membros do BRICS Rússia, China e África do Sul, sendo superado mesmo por países como Botsuana, Namíbia, Quênia, Camboja e Ruanda. Até na sua região de influência, a América Latina, o Brasil ocupa a 19ª posição entre 23 avaliados.

 

A questão principal é: como um país antes reconhecido como empreendedor, dotado de grande potencial econômico e com uma população repleta de habilidades inventivas e adaptáveis encontra-se nessa atual posição?

 

São vários os motivos apontados pelo estudo. Apesar de se destacar no quesito “percepção de oportunidades”, são vários os pontos de estrangulamento nas aspirações e habilidade. Os gargalos mais importantes do empreendedorismo no Brasil são encontrados nas áreas de “internacionalização”, “inovação de processos”, “inovação de produto” e “capital humano”.

 

Outro ponto que chama a atenção no país é o fato de apresentar sistemas de governança e instituições econômicas e políticas consideravelmente mais fracas que as de seus vizinhos mais próximos, incluindo o Chile, grande destaque da região. Uma dificuldade que parece impedir o Brasil de tirar pleno partido do seu grande mercado consumidor, refletindo no perfil empreendedor do país.

 

O país irá enfrentar um grande desafio para melhorar suas aspirações empresariais. Como muitos outros países com a economia em desenvolvimento, fica claro que a melhoria da qualidade da governança e das instituições econômicas no Brasil será a chave para mobilizar o potencial empresarial e dar seguimento às oportunidades percebidas, algo destacado pela grande lacuna entre “percepção de oportunidade” e “oportunidades para start-ups”.

 

São questões e desafios imponentes, mas que não aparentam ser intransponíveis para um potencial tão elevado como o brasileiro. Não são apenas recursos, potencial ou capacidade de adaptação. A raiz da mentalidade empreendedora cresce a passos largos no empresariado brasileiro. Contudo, sem investimentos em infra-estrutura, redução da carga tributária e formação adequada, essa capacidade tende a continuar adormecida e cada vez mais impraticável por parte dos empresários e potenciais empreendedores…

 

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